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Arquivos para 25 de Agosto, 2012

A projeção e a negação de experiências exclusivas de um grupo

A ilusão psicológica “meu mundinho é este mundão” é uma das muitas armadilhas da consciência individual humana, em sua tentativa de entender o mundão. Em essência, ela se baseia num pressuposto falso: se estou vivendo isso, todos estão; se não estou presenciando isso, ninguém está.

No caso do tuíte acima, os 50% de intenção de voto atestados por vários institutos de pesquisa de opinião pública, em todo o país, eram uma farsa — porque naquele restrito grupo de conhecidos do tuiteiro não havia ninguém representativo dessa opção política. Se não existe no mundinho, não existe no mundão.

* * *

Se você é uma pessoa letrada que vive no planeta Terra, provavelmente tem uma opinião sobre Corrections, de Jonathan Franzen. Ele [o romance] é uma obra de gênio, que define uma era, ou uma soap opera superestimada, própria da cultura mediana e convencional ― uma ousada regeneração de um gênero clássico (o romance familiar realista) ou um exercício irrelevante, numa forma sem vida. O livro foi publicado há longos oito anos, e desde então foi absorvido tão plenamente pela corrente sanguínea cultural ― seus nutrientes extraídos, sua casca descartada ― que lê-lo novamente, ou mesmo pensar conscientemente sobre ele, parece quase redundante.

Sam Anderson.

       Mesmo?

* * *

Para um escritor, há duas utilidades na identificação das atividades mentais de projeção (“meu mundinho é o mundão”) e de negação (“se não existe no meu mundinho, não existe no mundão”) de fatos humanos, quando essas atividades derivam da limitada extensão do conhecimento pessoal, ou seja, aquilo que a pessoa conhece ou não conhece, por experiência própria:

1. Perceber, no seu próprio pensamento, alguma representação errônea do “mundão” que venha a ser incluída na história e, com isso, causar sério arranhão em sua imagem de pensador.

2. Humanizar o personagem por meio do recurso da ironia dramática (situação em que o leitor sabe mais do que o personagem), fazendo esse personagem expressar uma projeção imprópria ou uma negação de fato óbvio para o leitor.

Vale um exercício literário de imaginação:

. Que experiências, comportamentos ou aspectos dos grupos aos quais você pertence podem estar sendo projetados indevidamente em outros grupos humanos?

. Que experiências, comportamentos ou aspectos de grupos aos quais você não pertence têm a existência negada por você, apenas porque eles não fazem parte dos seus grupos?

. Que experiências, comportamentos ou aspectos dos grupos aos quais está integrado um personagem de sua história ele projeta erroneamente sobre os demais grupos humanos?

. Que experiências, comportamentos ou aspectos existentes em outros grupos humanos um personagem insiste em negar, apenas porque não estão presentes nos grupos aos quais ele pertence?

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 Fontes

. Imagem: http://www.twitter.com

. Citação de Sam Anderson: http://nymag.com/arts/books/reviews/67497/

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